quarta-feira, 18 de novembro de 2009

40 minutos do segundo tempo

Creio que a maioria das pessoas já foi ao menos uma vez ao estádio curtir uma partida de futebol e mesmo os que nunca foram já devem ter assistido algum jogo na televisão e reparado que muitos torcedores, independentemente do resultado da partida, começam a sair do jogo por volta dos 35, 40 minutos do segundo tempo. A justificativa em geral é a de que não querem enfrentar o tumulto da saída do estádio, a desorganização do estacionamento, o trânsito engarrafado ou mesmo ônibus ou vagões lotados no metrô.

Com essas desculpas perdem os cinco minutos finais de uma partida que pode sofrer uma reviravolta importante, pois afinal, futebol é futebol e já tive grandes emoções nesses minutos finais, como gols de virada, golaços de título, que o diga o Rondinelli em 78 e o Pet em 2001 entre outros fatos fantásticos como o último minuto de Croácia x Turquia na Eurocopa de 2008.

A idéia não é discutir futebol, mas sim o quanto deixamos de aproveitar situações em nossas vidas simplesmente porque temos medo de algo acontecer fora do nosso controle ou de dar errado e por esse receio corremos pra porta de saída antes da festa acabar, antes do jogo terminar com medo do “tumulto” que isso possa causar e criamos várias desculpas para explicar porque deixamos de curtir momentos que poderiam ter se tornado importantes e relevantes em nossas vidas, e assim não nos envolvemos plenamente numa relação por medo que ela dê errado e acabamos criando uma profecia auto-realizável, isto é, quanto mais acreditamos na possibilidade de algo acontecer, mais podemos influenciar no seu acontecimento e o que mais temíamos acaba acontecendo.

Muitas vezes ajo dessa maneira, mas tenho aprendido a esperar o jogo ir até seu final e depois espero a grande massa de torcedores sair, os tumultos se dispersarem, o metrô tranquilizar e saio, satisfeito por ter aproveitado a partida até o final, mesmo que o resultado não tenha se alterado nesses últimos minutos, mesmo que o resultado final não tenha sido o que esperava, mas ao menos fiquei ali, me envolvendo, torcendo e tentando aproveitar cada minuto desse “jogo”

5 comentários:

Leonardo disse...

Isso é o que acontece quando focamos apenas o resultado principal: vencer. Deixamos de perceber outras possibilidades que o Universo nos dá. Como por exemplo, a bela visão das pessoas saindo do estádio, a visão bucólica do estádio vasio, o silêncio logo após o jogo (ensurdecedor). É... perceber é questão de maturidade mesmo. Leonardo Bueno

Gabriel Camargo disse...

Tinha uma vida profissional relativamente estável no Rio e uma vida amorosa relativamente instável. Quando surgiu para ela a oportunidade de voltar pro sul,fui junto. Mesmo com a dúvida de que era a coisa certa a fazer. Por que? Porque não queria ficar a vida inteira com a "pulga atrás da orelha" me dizendo: - E se era isso? Fui, fiquei 1,3 anos e agora tirei a conclusão de que não era. Mas não me arrependo da minha decisão de querer viver até a última gota. Nada melhor do que ter a certeza de algo! Rs

ana valéria disse...

Gostei do texto, Fred. Tenho lido mta coisa q a Lu me manda e são coisas q realmente ajudam na vida da gente. Bjinhos

242 disse...

Você disse tudo !!!! A Ansiedade é reponsável por muitas coisas que deixamos de viver !!! Hoje vivo exatamente isso a ansiedade corroe o ser humano e impede que ele viva a intensidade de cada minuto da vida !!!!
Pois bem aprendi com muitas pessoas inclusive você, que ter maturidade e coragem fazem com que a gente aprenda e se surpreenda com o final !!!

Marcia Ferreira

layra disse...

Caracteristica de nos, cancerianos, de muitas vezes deixarmos de fazermos coisas por medo de perder o controle, de baguncar nossa vida, nossos sentimentos, mas com os anos vamos mudando e apredendendo que e justamente isso que enriquece cada vez mais nosso viver!