sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Quando a saudade termina?

Em uma das muitas cidades por onde passei, e da qual não me recordo o nome, me deparei com uma placa no momento que cruzava os limites da cidade que dizia: aqui começa a saudade de “Palmira”

Tenho vivido uma sequência de “começos de saudade” desde que me dou por gente e tudo o que vivi, vi e senti construiu algum tipo de sentimento, algum tipo de memória em mim.
Claro que guardo com saudades os momentos positivos pelos quais passei, mas acho que a primeira saudade que construímos é aquela do lugar que nos foi destinado ao nascer ou então do lugar onde fomos criados ou ainda do lugar onde criamos raízes. Mas, e no meu caso que não tenho raízes?
Voltar pra onde? Voltar por quê?
Em todas as viagens que fiz sempre defini um retorno, uma data aproximada, mesmo não tendo raízes, mas ainda acreditava que o Brasil era o meu lugar, acho que nem tanto pelo país, tampouco pelos amigos, afinal construí algumas boas amizades nos países onde morei e em alguns que passei, mas por causa da família.
Creio que essa vontade de voltar fica sempre martelando na cabeça (ou seria no coração?) de todos que deixam o “seu lugar”.

Mas quando essa saudade começa e quando ela acaba?

Parece-me mais simples definir quando começa. E acho impossível definir quando acaba. Ao menos aqui nessa existência material, porque mesmo que voltemos pro lugar que deixamos, encontramos o mesmo local, mas em época diferente, num tempo distinto. Assim, enquanto esperamos voltar e reencontrar o que deixamos, podemos nos frustrar, porque o tempo passou e tanto o que deixamos, quanto “quens” deixamos, mudaram. E mais, nós mudamos, desenvolvemos uma maneira diferente (nem melhor nem pior, apenas diferente) de ver e sentir as coisas e ao nos depararmos com a realidade que havia ficado e já não é mais, nos sentimos perdidos no tempo e no espaço e por isso acabamos oscilando sempre entre a vontade de viajar de novo e a saudade do que vimos, fizemos e conhecemos e também da “saudade do que ainda não fiz”.

Acho que aquela placa deveria ser mais completa e dizer; “aqui começa a saudade de Palmira... e que nunca vai se apagar, mesmo que você volte.

2 comentários:

Simone disse...

Amei o blog!!!!!! Amei os textos. Parabéns!

Blog da Rô Cabral disse...

Fred, adorei o texto, desde o título, bastante poético, como o conteúdo, maravilhoso.
Eu já passei por uma situação semelhante, quando fui à França em 2000.
Eu sofria de saudades sem nunca ter ido. Mas uma coisa lá do fundo da alma, que não tinha como explicar.
Arrumei as malas como quem vai de volta pra casa. Fui sozinha, e fiquei tres semanas; não conseguia sair de Paris. Ia para lugares perto e logo voltava, ficava um dia ou dois fora e voltava...
Ao final das tres semanas, voltei para casa chorando. Depois, em 2004voltei, então com meu atual marido.
Não foi a mesma coisa, mas aquela sensação de saudade nunca terminou.
Ela existe até hoje. Minha ligação, que agora sei, é com o norte da França é muito séria e muito forte.
Não sei se volto, mas a saudade nunca vai passar, pode crer.
Forte abraço.