quinta-feira, 16 de abril de 2009

Aeroportos e Rodoviárias

Salgueiro, Pernambuco, julho de 2008

Sinto um prazer inexplicável em viajar. Não. Acho até que é explicável, ainda mais para quem convive comigo, direta ou indiretamente e acompanhou minhas viagens pelo mundo.
Algumas pessoas viajam única e exclusivamente por obrigação. Eu o faço por prazer, sempre. Sempre foi assim e continua sendo, mesmo que seja a trabalho, mesmo que a grana esteja curta, mesmo que não dê pra ir de avião e tenha que ir de ônibus ou de carona, hospedar-me em albergues ou casa de amigos dos amigos, mas viajar.

Adoro o cheiro da estrada, parar e olhar para o “fim” de uma reta sem fim, ver um carro se aproximar por um lado e ir sumindo do outro, imaginar o que vem depois, ouvir o ruído dos pneus do ônibus me levando pra uma nova cidade, imaginar o que me espera naquele novo lugar, com aquelas novas pessoas.
Adoro também aeroportos. Aquele clima de pessoas indo e vindo, principalmente quando EU estou indo ou vindo. Só em olhar um avião cruzando o céu, minha mente se perde imaginando quem são as pessoas que ali estão, quais suas histórias, pra onde seguem, o que as esperam... como a letra do Toquinho e do Vinícus em Aquarela

“...Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo...”

Passei por centenas de rodoviárias e aeroportos, pelo Brasil e pelo mundo e enxergo bem a diferença do “clima”, do ambiente entre eles. Nas rodoviárias as pessoas são mais simpáticas, emotivas, calientes e envolvidas com as despedidas, até porque no ônibus as pessoas podem se aproximar, vir até a janela se despedir. Nos aeroportos o oposto. Tentam manter uma frieza, talvez até pelo medo que muitos tem de avião, não se misturam, se despedem muito antes de partir, pois tem que entrar antes de embarcar e mal falam umas com as outras.
Mesmo com a perda do antigo glamour que esse último tinha, ainda há uma grande diferença de comportamento, pois não só nesses mas em qualquer outro lugar que se esteja, os “pobres” sempre são mais solidários do que os “ricos”. Vemos aquele que pouco tem ajudar alguém na rua; em bairros pobres e numa cidade pequena as pessoas se apóiam enquanto na cidade grande não sabemos nem quem são nossos vizinhos, pois parece que não queremos passar pela possibilidade de sermos importunados.

Durante a viagem acontece o mesmo. Nos aviões, por mais longo que seja o vôo poucas pessoas se falam, conversam. Já numa viagem de ônibus, depois de algumas horas, algumas paradas, já sabemos a história da família de boa parte dos passageiros. Frequentemente tomava o ônibus do Rio para Salvador, 26 horas de viagem e na parada em Realeza já sabíamos quem era quem. Imagina quando fui a Fortaleza...44 horas !!! Aracaju..32 !!! e outras mais curtas Brasília, 16. Floripa, 18....

Mas hoje, parado no meio do Sertão de Pernambuco, a caminho de Fortaleza, olhando as pessoas nessa pequena rodoviária aqui em Salgueiro, me sinto em casa. Me sinto aquecido. Me sinto vivo. Vendo lugares que nunca vi. Saboreando as pessoas, seus comportamentos, seus olhares, seus sotaques, suas maneiras de ser e agir. E isso que sempre tenho buscado. Vida.

2 comentários:

Joao disse...

Andando por aí....

Andando por aí... procurei o mesmo que você...As cores, os sabores, os cheiros,me procurando.
Vi gentes, olhares,na Asia,Austrália,Europa, todos com aquele brilho, que me fez entender que somos todos bem iguais, todos com uma imensa necessidade de entender, de amar,de sentir.
Continuo viajando,sem sentido aparente,mas com todo o sentido, buscando o sentir, que sempre encontro em lugares mais que surpreendentes, e ueme fazem sentir que valea pena afinal esta viagem.

Anônimo disse...

Fred querido Fred, vc me encanta, tua criatividade é d+, me alegra, estou aqui precisando dormir, mas relaxo com tuas palavras de quem sabe muito bem "observar as diferenças" , bj